As oficinas de geração de renda visam suprir a necessidade de emprego e trabalho em um sistema de mercado cada vez mais competitivo, em que o portador de esquizofrenia apresenta desvantagens para inserir-se ou adaptar-se. A proposta atual de oficinas sugere estratégias que buscam inserção dos pacientes, a partir de métodos que capacitam os portadores a criar, produzir e vender os produtos que desenvolvem (Amarante, 1997). A inserção em uma linha de produção e comercialização está diretamente relacionada à organização e execução de tarefas de trabalho, o que promove uma melhora significativa do funcionamento global com ênfase para processo de autonomia e reabilitação dos aspectos cognitivos e autoestima (Mc Gurk, 2007).
A produção e a comercialização estão associadas ao conceito de economia solidária, bastante utilizado atualmente. É um movimento de organização que visa à geração de renda a partir do trabalho coletivo, utilizando os recursos naturais de forma responsável e consciente. Na economia solidária os produtores se organizam em sistemas de autogestão, ou seja, todos são responsáveis pelo empreendimento, todos decidem em conjunto e se beneficiam igualmente dos frutos gerados pelo mesmo. Esses empreendimentos podem ser legalizados em forma de cooperativas, associações, empresas solidárias, entre outras, desde que valorizem e estimulem a participação de cada produtor, (Bosi, 2003).
Apostar nessa proposta surge como uma necessidade do Programa de Esquizofrenia (PROESQ/UNIFESP) e também dos pacientes que dela fazem parte, já que muitos dos encaminhamentos para o tratamento não medicamentoso eram seguidos de uma demanda e desejo dos pacientes para o trabalho.
As oficinas foram criadas atendendo a critérios pré-estabelecidos de seleção de pacientes, distribuição da renda e operacionalização da produção.
À medida que as oficinas se constituíam, tornou-se evidente a posição que os pacientes tomavam em relação ao tratamento e à própria produção. Através da comercialização dos produtos e a construção conjunta da identidade de cada oficina, os pacientes passaram por diferentes etapas: aprendizado de uma nova técnica, participação nas escolhas e decisões da oficina, ampliação do repertório social e transformação da identidade social, através da valorização da produção.
Com isso, essa iniciativa tem conquistado um papel importante na dinâmica de funcionamento da instituição, além de favorecer o estabelecimento de novas possibilidades de circulação e reconhecimento dos pacientes dentro e fora dela.
Funcionamento:
O programa de geração de renda do Proesq atualmente funciona às terças-feiras. Atende em média 10 pacientes distribuídos em 2 oficinas: Papel reciclado e Mosaico.
“Projeto Vida Nova” – Oficina de papel reciclado:
O trabalho dessa oficina teve início em outubro de 2007, atendendo ao pedido de alguns familiares. No início, o grupo era coordenado por terapeutas ocupacionais voluntárias e hoje em dia recebe alunas do curso de especialização em terapia ocupacional da UNIFESP.
Nossos produtos: Fazemos papel reciclado para a confecção de agendas, cadernos, blocos de anotação e marcadores de livro.
Oficina de Mosaico:
O trabalho dessa oficina teve início em março de 2007 por iniciativa das alunas do curso de especialização em terapia ocupacional da UNIFESP.
Nossos produtos: Confeccionamos objetos para decoração em geral, como: porta retratos, descanso de panelas, porta guardanapo, bandejas, entre outros.
Comercialização:
A produção é comercializada em situações festivas dentro do ambulatório e nas feiras de artesanato realizadas pelo Programa de Qualidade de Vida da UNIFESP, na “Praça Viva”.
Remuneração:
O valor das vendas é dividido entre os pacientes respeitando o critério de pagamento por hora trabalhada, reservando uma porcentagem para a reposição de materiais.
Horário de funcionamento: Terças feiras.
Projeto Vida-Nova: 09:30h às 11:30h
Oficina de Mosaico: 15:00h às 17:00h
Referências:
Amarante, P. Loucura, cultura e subjetividade: conceitos e estratégias, percursos e atores da reforma psiquiátrica brasileira. In: Fleury, S (Org.). Saúde e democracia: a luta do CEBES. São Paulo: Lemos, 1997.
McGurk SR., Mueser KT, Feldman K, Wolfe R, Pascaris A. Cognitive Training for Supported Employment: 2-3 Year Outcomes of a Randomized Controlled Trial. Am J Psychiatry, 164(3): 437-441, March 2007
Bosi, E. Cultura Solidária; Apostila “Auto-gestão e Economia Solidária”; Org. e Edição Claudia de Almeida Ortega; Realização Verso Cooperativa de Psicologia; 2ª ed.; Setembro de 2003.
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Agendamento de visitas com Larissa, às terças feiras.
PROGRAMA DE GERAÇÃO DE RENDA – PROESQ/UNIFESP
Rua Machado Bittencourt, 222
Vila Clementino/São Paulo - CEP 04044-000
Tel: (11) 5573-3599