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O convívio familiar
Neste quinto livreto da série “Conversando Sobre A Esquizofrenia” abordaremos o tema do convívio familiar. Sem a intenção de esgotar esse assunto, procuramos tratar de temas que contribuam para que a pessoa com esquizofrenia e seus familiares possam pensar sobre como construir formas boas de convivência.
O nosso propósito é que a leitura deste texto contribua para a reflexão e o diálogo entre os membros da família, com a intenção de promover mudanças onde se fizer necessário, melhorar os relacionamentos e desfazer mal entendidos. O caminho que escolhemos para atingir esse propósito se baseia no diálogo estabelecido ao longo dos últimos anos com muitas pessoas com esquizofrenia e seus familiares, ouvindo e conversando sobre suas dúvidas e dificuldades cotidianas.
A maioria das abordagens familiares na esquizofrenia enfoca a orientação dos seus membros sobre como lidar com a pessoa com esquizofrenia. Algumas dessas abordagens partem do pressuposto que a pessoa com esquizofrenia precisa ser tutelada ou cuidada, e que vai sempre ocupar um lugar de doente dentro da própria casa. Entendemos que essas abordagens ajudam em alguns aspectos, mas também podem tornar mais difícil a aceitação da pessoa com esquizofrenia, justamente por parte daqueles que a amam verdadeiramente.
A nossa forma de ver a esquizofrenia e a família parte da compreensão que a doença não caracteriza a pessoa e que ela, como qualquer outra pessoa, tem seu jeito de ser, desejos, qualidades e defeitos. Há situações em que a pessoa com esquizofrenia necessita tanto receber cuidados como compartilhar a vida com a família. Muitas pessoas com esquizofrenia são exiladas dentro de sua própria casa. Essa é uma situação que pode ser mudada.
Trabalharemos ao longo deste livreto com o conceito de superação. A esquizofrenia é uma doença que afeta várias áreas de funcionamento da pessoa, dificulta os relacionamentos e desorienta os outros membros da família. A superação é um processo de aprendizado com as situações e o convívio, que permite aceitar as limitações e maximizar as potencialidades de cada familiar, e ajuda a vencer os desafios práticos do cotidiano na construção de projetos para o futuro. Nessa perspectiva, a pessoa com esquizofrenia tem muito a ganhar e crescer no convívio familiar.
Procuraremos apresentar o tema do convívio familiar através de situações vividas pelos personagens descritos na série, de maneira. A história desses personagens está descrita nos outros livretos da série e ajudam a ilustrara nossa proposta neste livreto.
Muitas vezes pensamos que somos os únicos que passam por situações difíceis, mas a nossa experiência mostra que na maioria das vezes temos muito a crescer compartilhando o que vivenciamos. Esperamos que a leitura deste livreto contribua para que você, nosso leitor, tenha novas idéias para melhorar ainda mais a qualidade do convívio na sua família.